O BAR

09:47:00

                                                           



                   

  Ele se levantou como se fosse dizer algo importante. Porém, resolveu voltar ao seu estado de inércia, e escutar os lamentos de seu chefe. Ao fim do dia, se sentia exausto. No caminho para a casa, entrou em um bar de aspecto sujo e desleixado. Sentou se em  uma mesa, pediu uma bebida bem gelada e se pôs a observar os outros ao seu redor.
  Sua cabeça girava e sua garrafa perdia o líquido de maneira voraz. Um estranho adentrou o bar abruptamente. Com um olhar carregado de tristeza, se sentando ao lado dele. Pois, as outras mesas já estavam ocupadas. O estranho sem ao menos olhar para o barman, pediu uma bebida com gosto amargo a fim de igualar se a sua vida.
  Observando o recém chegado, o garoto que há pouco foi destratado pelo chefe disse oi, um pouco tímido. A resposta também veio tímida, como um sussurro, porém espontânea. Ambos carregavam tantas mágoas, nem se escutassem um ou outro a noite toda não seria suficiente.
Aos poucos o bar ficava vazio, e os dois se mantinham entrelaçados em uma conversa sincera, sem medo de julgamentos.O estranho contava sobre sua briga com a mãe, e todos os desentendimentos com seu pai. O injustiçado relatava sua solidão contínua e seu chefe  abusivo, que nunca o valorizava.
 Quando o sol já esboçava seus primeiro raios, a hora de partir havia chegado. Já no lado de fora do bar, a contragosto os dois se despediram com um simples aperto de mão. No caminho para casa o estranho finalmente se deu conta de que havia encontrado algo muito mais raro do que um ombro amigo. O injustiçado se arrependerá daquele adeus precoce.

Ao refazer o caminho, em lados opostos ambos se encontraram no ponto de partida: o bar. Sem palavras para explicar o sentimento que se fez recíproco. Um beijo sem medo dos preconceitos e angústias, se consumiu ali mesmo, em frente ao bar.

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2 comentários

  1. Que saudade dos seus textos, garota!
    Beijos

    http://lovelyplacee.blogspot.com.br/

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    Respostas
    1. Oi Renata,
      estava morrendo de saudade de escrever.

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